aos poucos esqueço este hábito triste de gostar-te
de querer-te demais e a toda hora.
névoa silente e delicada
morre em mim, pois
que é tarde.
Caderno de Retratos
"Henceforth I ask not good-fortune, I myself am good-fortune, Henceforth I whimper no more, postpone no more, need nothing, Done with indoor complaints, libraries, querulous criticisms, Strong and content I travel the open road." Walt Whitman
sexta-feira, 16 de março de 2012
Oferta
Mas sou também este sangue derramado
esta mistura de desencanto e lágrimas:
tormentas que cessaram
mas que deixaram marcas.
Sou este silêncio incômodo
implacável
e este olhar perdido,
indefinido e quase triste,
como se pretendesse diluir-se no horizonte.
E sou estas palavras rotas
alquebradas
áridas e indecifráveis como um soluço surdo.
Este carinho sério, sem forma,
de gestos rudes e ásperos,
nasce da matéria pesada que em meu corpo
lenta e obstinadamente se plasmou.
Não me desejes outro.
Não procures em mim
a leveza da inocência
ou a pureza casta e diáfana do ermitão.
Meus caminhos, trilhei-os pelo mundo,
em suas paragens de erro e de desejo,
em sua realidade inevitável de saudades, alegrias, amores e desesperos.
Não te posso oferecer um corpo imaculado, morto e vazio.
Não te posso oferecer um presente sem passado.
Posso somente te ofertar este amálgama,
esta combinação curiosa e desajeitada de cicatrizes e sorrisos.
esta mistura de desencanto e lágrimas:
tormentas que cessaram
mas que deixaram marcas.
Sou este silêncio incômodo
implacável
e este olhar perdido,
indefinido e quase triste,
como se pretendesse diluir-se no horizonte.
E sou estas palavras rotas
alquebradas
áridas e indecifráveis como um soluço surdo.
Este carinho sério, sem forma,
de gestos rudes e ásperos,
nasce da matéria pesada que em meu corpo
lenta e obstinadamente se plasmou.
Não me desejes outro.
Não procures em mim
a leveza da inocência
ou a pureza casta e diáfana do ermitão.
Meus caminhos, trilhei-os pelo mundo,
em suas paragens de erro e de desejo,
em sua realidade inevitável de saudades, alegrias, amores e desesperos.
Não te posso oferecer um corpo imaculado, morto e vazio.
Não te posso oferecer um presente sem passado.
Posso somente te ofertar este amálgama,
esta combinação curiosa e desajeitada de cicatrizes e sorrisos.
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Poesia,
Rascunhos Esquecidos
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Poesia (ou Palavras a uma Amiga)
Poesia é sofrer as palavras
em imagens e sons e sentimentos.
É despedaçar os seus sentidos e montá-los
um a um
em formas antes não desconfiadas.
É brincar em meio às estrelas da noite
dançar ao seu redor
sentir a vida quente que pulsam
e que se esvai.
É um saborear tátil
cada vibração
cada aspereza calcária e silenciosa
da matéria.
É absorver a sinfonia pungente do universo
brotada, talvez, das rachaduras do teto
talvez, dos poros do corpo (o lamento da alma).
Poesia,
um tecido de sonhos e náusea
a brincar
girar de acima abaixo
girar de revés
girar, simplesmente.
Em meio a conceitos
encontrar palavras
e delas procurar as mais simples
aquelas quase quietas
as únicas a saber a dor que carrega cada instante feliz.
em imagens e sons e sentimentos.
É despedaçar os seus sentidos e montá-los
um a um
em formas antes não desconfiadas.
É brincar em meio às estrelas da noite
dançar ao seu redor
sentir a vida quente que pulsam
e que se esvai.
É um saborear tátil
cada vibração
cada aspereza calcária e silenciosa
da matéria.
É absorver a sinfonia pungente do universo
brotada, talvez, das rachaduras do teto
talvez, dos poros do corpo (o lamento da alma).
Poesia,
um tecido de sonhos e náusea
a brincar
girar de acima abaixo
girar de revés
girar, simplesmente.
Em meio a conceitos
encontrar palavras
e delas procurar as mais simples
aquelas quase quietas
as únicas a saber a dor que carrega cada instante feliz.
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