terça-feira, 13 de julho de 2010

Abandono

Recolho o sentimento todo, e o que se me dá? Por certo que não há de encher a menor das taças que hoje entorno com a voracidade de quem precisa esquecer.

Esquecer... Esquecer e lembrar, é tudo o mesmo! Esse mal-estar, essa náusea, essa angústia têm todos o mesmo sabor da indiferença. Antes causasse dor, que nos denuncia vivos.

Ah, o tédio! Fiel acompanhante nos mais tumultuados dias. Amigo único a seguir-me pelos desertos de uma alma morta. Graças a ti, sentir domesticado, deteve-se nas fontes meu sofrimento: nas barragens da amargura não me permitiu que lágrimas acumulasse.
Ah, noite! Leva-me consigo ao réquiem luminoso da aurora.

Sou um velho cão, que preso sempre, liberto recusa-se a abandonar o cativeiro. Sentir e viver? Nem mais como propósito.

Aos diabos, vós todos! A carruagem chama-me a partida. Desdenho satisfeito a lágrima que outrora ansiei avidamente.

Um comentário:

  1. Instabilidades de um espírito vulgar. Ou troca de espíritos que me encarnam. Não importa. Desejo insensato, produto de um coração seco. Mas que hoje jaz alagado pela torrente da dor e da desesperança.

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