Não somos mais que
traços de branca espuma
a seguir pela ladeira baixo
ao sabor inconstante de um fio d'água.
Poeira arrastada com o vento
junto com as folhas secas
que um ímpeto invisível arranca às árvores.
Erramos aos desígnios do acaso.
Amamos sem motivo
e como regra sofremos
os sentimentos e afetos mais nobres.
Choramos, também.
E mesmo então canta em nós um estado estranho
que chamamos felicidade,
que é cinza como um dia triste e
vermelho como aquele crepúsculo
que precede uma noite calma.
Ao fim, quando muito
não resta de nós no mundo
senão esta incômoda impressão de sujeira
a manchar o chão
e removida de pronto
pelas vassouras da copeira.
Pois que assim é, que seja.
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