terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Correnteza

O rio canta alto nas pedras
e o vento vagueia as folhas que se desprendem até o leito.
Por aqui costumávamos descansar.

A força do sol invade a sombra da grande árvore centenária.
Sob suas folhas ainda se pode repousar
e cheirar aquele aroma de manhã
que se mistura ao azedo dos galhos e troncos que próximos tornam à terra.

As borboletas azuis que tanto admiravas
circulam as flores - mais bonitas agora que é chegada a primavera.
Como um presente,
o verde da relva realça o colorido esplêndido destas frágeis formas da beleza.

Intocado pela cruledade do tempo
o mundo aqui parece resistir.

Posso apanhar os antigos sonhos como as pedras que arremessava ao riacho.
Posso viver as antigas esperanças (que aqui não morreram)
e sentir queimando na pele o ímpeto da velha alegria.
Posso lembrar dos banhos em tardes e dias quentes,
das lições de escalada nas árvores, do medo ao entardecer,
do conforto amigo quando morreu-me o irmão...

Aqui continuam a harmonia e a serenidade
heranças simples
que a vida nos dá como frutos - e que rejeitamos, tão rudes e confiantes.

Quando foi que nossos rumos se fizeram diferentes?
Por onde te encaminhou o mundo que não podes lembra-te aqui comigo?

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