As chamas se alimentaram
do nosso passado lançado ao fogo.
Das cartas que trocamos, das juras
que em voz ofegante de amor
gritamos,
dos nossos momentos mais íntimos...
Nossas vidas entrelaçadas
arderam e trovoaram
ganidos de dor e arrependimento.
Explodiram em luminosas labaredas
os fragmentos de sonhos
que outrora ousamos.
O adorável rosto
que desde o porta-retrato
mirava minha solidão com olhares ternos
brilhou uma vez mais,
despedindo-se melancolicamente.
Mesmo nossas velhas memórias,
teimosas faíscas
que tencionavam escapar
ao precipício do tempo,
não duraram.
Extinguiram-se,
como que indiferentes.
Tão triste é sobreviver
às nossas ilusões!
Sobra-nos este monte
de cinza fria,
cinza sujo,
que, ao acordar,
escondemos sob o tapete.
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