quinta-feira, 15 de abril de 2010

Fósforo Frio

Sinto-me hoje como um náufrago
a quem privaram da companhia do mar.
Tantos gritos de socorro,
enfiados em garrafas,
que sequer tenho como enviar.

Alço os olhos ao horizonte
cego de minha vida,
sem esperanças de que haja ponte
ou caminho que me leve para longe de mim.

A brasa do cigarro arde
no compasso do blues de minha alma...
Desejo irrefreável de que o fim não tarde.

Tempo de melancolia calma,
este crepúsculo pesado de uma vida que não foi.
Sombra fria que não vingou,
extinguindo-se silenciosamente...

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