Ao fundo anuncia um sino rouco
o cotidiano (e) mesmo
continuar do mundo.
E no quarto de pensão
antigo e desbotado
dois corpos amantes
repousam tranquilos.
O cheiro do amor gasto
suja o ar e entorpece o ambiente.
As roupas -
largadas ao chão em movimentos urgentes -
pintam o cômodo
com seus matizes de vermelho impuro
e ofuscam, sutilmente,
a tênue luz do abajur ligado.
Vestígios de cor madeira
mancham os lençóis
(copos tombados pelo descuido ou pelo prazer).
Ao redor,
o espelho
a janela
o molho de chaves
a aurora
a estante e seus livros
os discos de jazz
as fatais seringas depositadas delicadamente ao pé do criado mudo.
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