Há também aqueles dias em que a vida pesa.
Dias sombrios, de frio e desalento
em que os jogos do hábito não nos bastam.
Manchadas de escuridão
suas lentas horas se borram em azul
enquanto o cansaço nos olhos impede o horizonte.
Aquela calma cinza e o ânimo grave
paralisam o vento e seu canto.
Aquele gosto turvo do vazio e do degredo
faz inúteis as ruas e seus estranhos.
A melancolia
a secar as coisas
e nelas marcar a obtusa nódoa da morte
apaga às flores suas pétalas.
Então é que a lembrança escondida
no peito acorda
e aquela face
ausente
fica mais triste no porta-retratos.
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